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Insights & Estratégia · 02 de outubro de 2026

Não é mais um blog de notícias. É a bússola que eu queria ter tido no balcão.

Por Leandro

Não é mais um blog de notícias. É a bússola que eu queria ter tido no balcão.

37 anos de varejo farmacêutico a serviço de uma missão: transformar cada notícia do mercado em decisão prática para a sua farmácia. Começando por cinco movimentos desta semana.

Meu nome é Leandro Curado. Tenho 46 anos, e 37 deles foram vividos dentro do varejo farmacêutico.

Foram 31 anos atrás do balcão: abrindo loja, fechando caixa e garantindo a folha de pagamento no fim do mês. Depois, vieram 6 anos à frente de uma contabilidade especializada em farmácias e drogarias.

Vi os dois lados do balcão e aprendi algo que nenhum curso me ensinou: o dono de farmácia não sofre por falta de informação. Ele sofre por falta de tradução.

O problema não é a notícia. É o que ninguém faz com ela.

Todos os dias chegam uma resolução nova, um prazo novo e um dado novo. O empresário lê a manchete, sente o peso e volta para o caixa. A informação passou por ele, mas não se transformou em decisão.

É aí que a maioria dos blogs termina, e é exatamente aí que o nosso começa.

O que você vai encontrar aqui

O Blog Curado não é um agregador de notícias. É um espaço de inteligência para quem vive o varejo farmacêutico. Cada artigo vai responder a três perguntas:

  1. O que aconteceu? O fato, com fonte e sem "contabilês".

  2. Por que isso importa para a sua farmácia? O impacto na margem, no caixa, na equipe e no risco.

  3. O que fazer agora? Uma ação prática para colocar em execução já na segunda-feira.

Quando for fato confirmado, vou dizer. Quando for análise ou tendência, também. A verdade inegociável vale para o blog do mesmo jeito que vale para a contabilidade.

Para provar, começo hoje

Separei cinco movimentos desta semana que já estão mexendo no resultado da sua farmácia, mesmo que ainda não apareçam no seu caixa.

1. A Reforma Tributária saiu do papel e tem data marcada.

A Resolução CGSN nº 194/2026 fixou o dia 15 de outubro como prazo para a opção pelo Simples Nacional em 2027 e o dia 30 de outubro para regularizar pendências e optar pelo regime regular de IBS/CBS. Quem está no Simples vai decidir entre o modelo padrão e o chamado "Simples Híbrido".

A pergunta errada é: "Qual regime paga menos imposto?" A pergunta certa é: "Qual estrutura deixa mais resultado depois de tributos, créditos, preço e caixa?" Isso não se responde na véspera do prazo.

O que fazer agora: peça à sua contabilidade uma simulação com os seus números reais de compras, fornecedores e margem, antes de 15 de outubro.

2. O imposto vai entrar no fluxo do dinheiro.

No dia 15 de outubro, começam os testes de integração do Split Payment entre os prestadores de serviços de pagamento e a plataforma pública. Trata-se de um ambiente de teste, sem efeito sobre transações reais. Mesmo assim, o recado é claro: o tributo passará a ser tratado no momento do pagamento.

O fiscal, o financeiro e o sistema da loja vão precisar conversar. Na farmácia, que vive de transações eletrônicas, isso pesa ainda mais.

O que fazer agora: desenhe o caminho de uma venda na sua loja, passando por PDV, emissão fiscal, maquininha, Pix e conciliação. Onde esse caminho quebra hoje, ele vai quebrar ainda mais amanhã.

3. GLP-1: vender mais não é o mesmo que ganhar mais.

O Ministério da Saúde pediu à Conitec que avalie a incorporação da semaglutida e da liraglutida ao SUS para o tratamento da obesidade e informou uma queda de cerca de 70% nos preços em menos de um ano. Já são 25 canetas registradas no Brasil, 14 delas só em 2026. Além disso, a Anvisa notificou o Mercado Livre após anúncios de venda de medicamentos dentro do marketplace.

Mais concorrência traz mais volume, mas também traz menos margem. Uma categoria pode crescer no faturamento e encolher no lucro.

O que fazer agora: separe o GLP-1 no seu controle, acompanhando unidades, preço médio, margem, giro, estoque e ruptura. Depois, responda: quanto essa categoria devolve para cada real de estoque investido?

4. Emprego em alta, equipe em disputa.

A taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre de junho a agosto, com população ocupada recorde de 103,5 milhões de pessoas e rendimento médio real de R$ 3.777. Isso é bom para o consumo, mas difícil para quem precisa contratar e reter balconistas e farmacêuticos.

O que fazer agora: troque a pergunta "Quanto custa contratar?" pela pergunta "Quanto cada colaborador gera?" Faturamento, margem e horas extras por funcionário dizem mais do que a folha de pagamento sozinha.

5. O Fisco já compara você com o mercado.

O Painel Receita oferece 16 indicadores de receita, lucratividade, endividamento e participação de mercado, organizados por setor, porte e localização. Na prática, a Receita está transformando dados declarados em referência de mercado.

Se o Fisco já sabe como você se compara ao seu setor, você também precisa saber.

O que fazer agora: consulte o painel e coloque os seus números ao lado. A diferença costuma ser o melhor ponto de partida para uma conversa estratégica.

O fio que liga tudo

O Fisco está mais inteligente, o varejo está mais competitivo e a inteligência artificial está virando infraestrutura. Separados, esses movimentos parecem apenas notícias. Juntos, mostram uma mudança de jogo: a farmácia que decide no escuro vai pagar mais caro por isso a cada ano.

A contabilidade que só entrega guias não acompanha essa mudança. Por isso, o meu compromisso aqui é outro: mostrar onde você está, como se compara ao mercado, qual risco está chegando e o que fazer agora.

O convite

Este blog será escrito por quem viveu o balcão, para quem vive o balcão: sem contabilês, sem atalhos e com verdade, mesmo quando ela for desconfortável.

Se uma notícia mexeu com a sua farmácia e você quer entender o que fazer com ela, escreva para mim. As melhores perguntas vão virar os próximos artigos.

Toda semana estarei aqui, traduzindo números em decisões.

Leandro Curado

CEO e fundador do Grupo Curado e da Curado Farma

Fontes desta edição: PNAD Contínua (IBGE); Resolução CGSN nº 194/2026; Receita Federal e CGIBS (Split Payment); Ministério da Saúde; Abrafarma; Painel Receita.